Kurt Kraut

batendo tambor com o Ubuntu

Em resposta ao OgMaciel sobre a simplificação do GNOME

Às vezes me irrito com pessoas na minha frente na fila de um fastfood qualquer. Aquelas que ficam olhando para as fotos ilustrativas e levam mais de 5 minutos para decidir o que comer enquanto meu estômago está sofrendo autodigestão.

A culpa não é delas. O problema que essas pessoas enfrentam é o mesmo que meus alunos em torno dos 18 anos enfrentam: escolher um entre centenas. Assim como existem uma infinidade de tipos de sanduíches e centenas de cursos universitários, o computador é uma caixinha de várias opções, decisões, YES, NO, OK, CANCEL, ABORT…

Tomar um decisão, escolher uma opção não é uma única escolha e sim várias. Por isso, digo aos meus alunos que não basta escolher a alternativa ‘B‘ como correta, mas a ‘A‘, a ‘C‘ e a ‘D‘ também devem ser escolhidas como erradas. Tem que haver um motivo para você não ter escolhido cada uma.

Ao entupir uma interface com opções – todas elas de igual importância – a dificuldade que o usuário sofrerá é a mesma dos exemplos anteriores. Leva um tempo para digerir todas as informações e isso diminui a curva de aprendizado, torna o uso do sistema irritante e teremos pessoas sofrendo de síndrome da abstinência do Windows.

Mas deve haver um limite. Sou adepto de sua sugestão OgMaciel. Quanto mais experiência temos, mais rápido e melhor podemos escolher o que queremos e o que não queremos. Se não permitirmos que o usuário usufrua do seu poder de decisão mais experiente, teremos um sistema que tem prazo de validade: funciona bem para os iniciantes mas assim que forem mais experientes, sentirão falta de mais recursos.

Deixemos que o usuário diga ao sistema o quanto ele pode decidir e o quanto de experiência tem para tomar cada decisão. Aí sim todo o esforço realizado por vários desenvolvedores não serão úteis apenas para a infância de quem nasce no mundo Linux.

February 7, 2006 - Posted by | Planetas

2 Comments »

  1. Opa, o link para esse post do OgMaciel é:
    http://blog.ogmaciel.com/?p=82

    Ele deu uma boa dica: de permitir o usuário escolher o nível de simplicidade que ele deseja.

    Concordo com ele na questão de quem tem que escolher o que eu quero, o que eu sei e se quero que apareça opções supostamente avançadas para mim sou eu mesmo!

    Até mais!

    Comment by Gustavo Paes | March 2, 2006 | Reply

  2. Creio que as ferramentas básicas poderiam ficar à mostra, mas a presença de algo como um botão “Avançado” nas aplicações, para acesso total das funções, seria uma solução.

    Se tem algo que pode fazer com que uma pessoa acostumada à interface gráfica desista do processo de aprendizado do sistema é obrigá-la a recorrer ao console e/ou editar arquivos de texto. Mesmo a quem já tem certa bagagem, devemos combinar que, por exemplo, é preferível pressionar Ctrl+Alt+Del, clicar no nome do programa que está travando e em “Finalizar Processo”, do que abrir o terminal, dar um ps, procurar o PID e escrever kill -HUP xxxx.

    É mister que se mantenha a simplicidade do ambiente Gnome. Contudo, o sistema não deve ser baseado apenas nisto. O ideal seria que todas as opções fossem acessíveis através da interface, mesmo que ficassem ocultas por padrão, todavia com fácilidade para que fossem exibidas se assim o usuário ache necessário.

    Comment by D4LT0N | March 12, 2006 | Reply


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