Kurt Kraut

batendo tambor com o Ubuntu

Uma idéia para migração

Sem começo, sem meio e sem fim, surgiu uma idéia para migração na minha cabeça. Vejo muitas pessoas falando maravilhas do Ubuntu, que se pudessem migrariam, mas que dependem de 3 ou 4 aplicações do Windows e que não podem ainda migrar. Essas aplicações ou foram feitas por programadores contratados ou são impostas pela matriz da empresa, não funcionam bem no Wine e deixam vários desktops longe de mundo Linux. Se minha idéia funcionar, isso era uma limitação até agora.

Passeando pela internet conheci o tímido SeamlesRDP. RDP é um protocolo nativo do Windows para acesso de desktop remoto. Faz exatamente o que o VNC faz e já no WIndows 2003 Server, vários usuários podem ter sessões diferentes no mesmo servidor, assim como faz o FreeNX no Linux.

Mas a novidade é o SeamlessRDP. Ele é um cliente para Linux de RDP (dentre vários já existentes que até acompanham o Ubuntu) que em vez de exibir todo o desktop remoto, ele exibe apenas a janela de um programa. Bem similar ao que o comando ssh -X faz. E chazan, temos a peça que faltava !

Nas empresas de perfil parecido com que expliquei anteriormente, os desktops poderiam ser migrados para o Linux com o SeamlessRDP instalado. Na rede local, um servidor Windows conteria os programas win32 que a empresa necessita. Então dentro do desktop Linux dos usuários, em pleno Gnome, KDE ou similar, através de um clique em um ícone, pode-se abrir um programa Windows que está rodando através do servidor remoto de forma transparente. Os usuários sequer vão notar que a aplicação está sendo rodada remotamente. Até a borda da janela será igual ao do Windows !😛

Depois de ter sorrido sozinho ao notar quantas portas esse modelo abriria, vi que ainda faltava uma peça fundamental: ainda havia Windows na rede. E pior, talvez envolvesse a aquisição de mais um CPU para rodar o Windows, o que criaria ‘custos’ a empresa, palavrinha que elas têm fobia.

Mas nem tudo está perdido. Ainda nas garagens está sendo desenvolvido um sistema operacional que não é Linux e nem um aparentado que já foi discutido aqui no Planeta pelo Turicas. Chama-se ReactOS, um sistema livre que roda apĺicações e drivers feitos para Windows. Mais que isso, eles tentam imitar a interface e decisões de engenharia do sistema da Microsoft. Os desenvolvedores só pretendem tomar próprias decisões, fazer inovações em interface e dispositivos quando atingirem um grau extremo de semelhança com o Windows, em que o sistema seria confiável suficiente para suportar qualquer aplicação que se instala no Windows.

Segundo site do sistema, se você trocar o Windows do computador da sua avó pelo ReactOS e ela além de não perceber a diferença ainda fizer tudo que fazia antes, o projeto atingiu seu objetivo. O desenvolvimento dele é bem integrado com Wine, até muitos desenvolvedores atuam simultaneamente nos dois projetos. Questionamentos sobre a ideologia do ReactOS a parte, trata-se de um sistema livre e isso tem seu mérito.

Então, no modelo de migração que pensei, em vez de manter um servidor Windows rodando na rede e sustentando as aplicações da empresa, podemos ter o ReactOS na rede exercendo o mesmo papel e mantendo a empresa livre de sistemas operacionais proprietários. Resolvi me arriscar no Inkscape e esquematizar para quem ainda não entendeu:

Organograma

Se você se empolgou e já está fazendo o download do ReactOS, vá com calma. O sistema está em uma fase muito inicial de desenvolvimento. Na versão atual sequer suporte de rede há. Ele está previsto ainda para ese ano na versão 0.0.3. Conversei com os desenvolvedores do sistema no #ReactOS da Freenode e pernambulei o fórum do site oficial do sistema. Já existe muito interesse em desenvolver um servidor RDP para o ReactOS. Apesar de não haver prazos, podemos sim esperar para 2007 e 2008 um servidor RDP nesse sistema.

E para por a cereja no sundae, que tal pensarmos no Edgy ? Cogita-se bastante integração com o Xen para a próxima versão do Ubuntu. Trata-se um sistema de paravirtualização que permite que vários sistemas operacionais sejam executados ao mesmo tempo no mesmo computador. Já existe uma versão adaptada do ReactOS para ser utilizada sobre o Xen. Agora junte você as peças. Deu para ver o cenário ? Em vez de comprar/destinar um CPU apenas para o ReactOS, é possível com um único computador rodar ao mesmo tempo Ubuntu e ReactOS e deixá-lo como servidor da rede, tanto para aplicações Linux como Apache, postfix etc como os programas Windows sustentados pelo ReactOS.

Dá para inventar mais firula nesse modelo ? Claro ! Que tal LTSP nos desktops Linux ? Muitas empresas ainda trabalham com máquinas de 10 anos de idade. E se a empresa tiver verba para para comprar mais servidores ? LTSP+OpenMOSIX, um sonho de criança !😛 É melhor eu parar antes que eu sugira uma cafeteira USB…

Abraços,

KurtKraut

June 14, 2006 - Posted by | Planetas

6 Comments »

  1. Uma das justificativas dadas pelos desenvolvedores do ReactOS é que o Wine nunca será uma ferramenta completa para migração. Segundo eles, o Wine ainda está em ambiente Linux. O usuário pode até conseguir rodar seus programas, mas a interface diferente, as ocnfigurações diferentes, irão impedir que o usuário se sinta ambientado.

    Por isso eles tentam fazer uma API sólida do Windows, com código aberto e livre disribuição/modificação para que o usuário já habituado com o Windows migre para o ReactOS sem esforço, sem mudar as aplicações que já usa e sem ter que reaprender um sistema novo.

    Esse é o posicionamento dos desenvolvedores. Discordo quase que integralmente, mas o uso que imaginei para o ReactOS é uma demonstração que a diversidade de alternativas do Software Livre nos dão essa mobilidade e maleabilidade no cumprimento de tarefas.

    Comment by KurtKraut | June 15, 2006 | Reply

  2. Excelente artigo.

    Em palestras ocorridas na etapa de Maringá do Fórum Paranaense de Software Livre foi discutido algo parecido, como uma estratégia de migração.

    Comment by D4LT0N | June 15, 2006 | Reply

  3. Caro amigo, tambem sou um entusiasta do ReactOS porém aproveito a oportunidade para esclarescer que ao que parece ainda não foi implementado suporte a redes no sistema. Ainda não foi lançado uma versão estável do sistema, o que só deve ocorrer depois de finalizado o procedo de auditoria que o sistema esta sofrendo e após a finalização de outras implementações.

    Comment by Carlos Alberto Lopes | June 15, 2006 | Reply

  4. Na teoria, são ótimas ideias, mas é preciso ver o qual estável esse modo de operação ficaria.

    Além disso, a dificuldade de manutenção aumentou incrivelmente, pois agora teremos que sincronizar os usuários do Windows/ReactOS com os usuários nas estações Linux, disponibilizar um diretório pessoal compartilhado nos 2 sistemas… Sem contar os inúmeros softwares-cola adicionados (RDP, ReactOS, Xen), os quais irão demandar mais horas de configuração e cuidado na hora das atualições, por se tratarem de softwares de desenvolvimente recente.

    Ótimas idéias sim, mas diria que a principal pérola é o SeamlessRDP, no qual já deverá ser possível fazer muita coisa. O resto ainda é meio utópico.

    Abraço!

    Comment by freakcode | June 15, 2006 | Reply

  5. Aloha,

    Grato pelo comentário. Mas a minha sugestão é apenas SeamlessRDP+ReactOS. Somente um programa e um sistema adicional em outro CPU. Qee é algo simples, de pouquíssima configuração. Dá para fazer isso em menos de 1h.

     Não vejo necessidade de sincronização de diretório. Se arquivos são gerados e precisam ser enviados por e-mail por exemplo, eles podem ser salvos diretamente do ReactOS ou Windows no servidor principal da rede, pelos mais diversos métodos, FTP, NFS etc.

    O resto é extra😛

    Comment by KurtKraut | June 15, 2006 | Reply

  6. Kurt, achei legal, eu gostaria de implementar aqui na impresa para pertubar o chefe pra mudar. Mas eu ainda tenho pouca experiência você não teria um tutoriapra configurar o SeamlessRDP e o RDP do windows ?

    Comment by silfar | June 20, 2006 | Reply


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